Redes americanas invadem a cidade e fazem sucesso entre os paulistanos | VEJA São Paulo


Rafael Limonta e Claudio Nunes, do Grupo Bar: abertura da primeira loja programada para janeiro
(Foto: Leo Martins)

A volta do TGI Fridays engorda a lista de redes dos Estados Unidos por aqui, que deve crescer ainda mais nos próximos anos

Em 23 de setembro, a rede de comida mexicana Taco Bell, vinda dos Estados Unidos, inaugurou com festa sua primeira loja na capital. Houve contagem regressiva no Facebook antes da abertura do ponto no Itaim Bibi e os 100 primeiros clientes da looonga fila (com espera de até três horas) vibraram ao ganhar… uma camiseta.

Apesar da pegada fast-food e de não contar nem com metade dessa badalação em seu país de origem, a cadeia de restaurantes é adorada por aqui. Já subiu as portas de mais duas filiais desde então, nos shoppings Anália Franco e Center Norte. Nesta sexta, 18, pretendia começar as atividades de um novo espaço no Shopping Interlagos. Na chegada da lanchonete Wendy’s, em julho, negócio de estilo similar que tem dois endereços, um na Vila Olímpia e outro na Vila Nova Conceição, o interesse do público não foi diferente.

Bem-sucedidos, os dois casos mostram que o paladar americano conquistou de vez os paulistanos. Nesse embalo, mais gente se dedica a investir no setor. Em atividade na capital entre 1995 e 2010, o finado TGI Fridays desativou suas quatro unidades da Grande São Paulo por questões com a administração local na época. Deve voltar repaginado, em janeiro, pelas mãos do Grupo Bar, responsável por empreendimentos como Gràcia e Brexó.

As negociações com a sede duraram dois anos. O espaço de estreia, nos Jardins, terá 1 200 metros quadrados e capacidade para cerca de 380 pessoas. Há planos de adicionar ao portfólio outras duas unidades por aqui em até três anos. A companhia não revela o valor do investimento. Mas, de acordo com especialistas, instalar um estabelecimento desses na cidade não sai por menos de 4 milhões de reais.

O TGI Fridays chega para disputar clientela com redes estrangeiras de casual dining, do naipe de Applebee’s. Os preços têm quase a mesma média. Um hambúrguer, por exemplo, custará de 35 a 45 reais. Seu maior concorrente, o Outback, campeão de filas de segunda a segunda, continua firme e forte (e em expansão) — a loja do Shopping Center Norte ostenta o maior faturamento do mundo.

Em 2017, devem surgir pelo menos mais dois endereços na cidade. No ano passado, o grupo Bloomin’Brands lançou o Abbraccio, de comida italiana, e, em março deste ano, o refinado Fleming’s, especializado em carnes. “Esse mercado ainda tem muito a crescer”, acredita o presidente da operação nacional, Salim Maroun. Ele se orgulha de nunca ter fechado um Outback, graças ao bom planejamento. O restaurante Tony Roma’s, famoso pela costelinha, lança sua segunda unidade próxima ao MorumbiShopping no primeiro trimestre de 2017.

O sucesso desses projetos depende muito do entendimento das preferências locais. Em atividade no país há uma década, as cafeterias Starbucks precisaram se adaptar. Engordaram o cardápio com pão de queijo, muffim salgado, grãos nacionais… “Percebemos que os brasileiros gostam de beber café na xícara, não só em copos de papel”, afirma Ricardo Rinkevicius, diretor nacional da rede, que não abriu nenhuma loja neste ano, mas agora pretende reativar a ampliação. Em Nova York, há casos de cruzamento de ruas com quatro Starbucks, um em cada esquina. Por aqui, esse panorama está longe de se consolidar, embora haja exceções. Na região da Avenida Paulista, por exemplo, há onze filiais da marca, e duas delas estão a menos de 100 metros uma da outra.

O nome conhecido no exterior ajuda as companhias a emplacar no Brasil. “Essas marcas fortes entram em qualquer país”, diz Paulo Cesar Mauro, diretor executivo da empresa de consultoria de franquias Global Franchise. “O importante é ter um parceiro local experiente, com bastante capital, para gerir uma operação em grande escala”, completa. O preço quase sempre acessível do cardápio, como o dos gigantes McDonald’s e Subway, e a valorização de uma experiência igual à vivida pelos americanos também atraem o público. Em relação ao Fridays, é de praxe que os funcionários façam dancinhas durante o expediente. “Queremos que o consumidor encontre aqui o mesmo que em qualquer outra unidade no mundo”, diz o sócio Claudio Nunes.

Nem tudo vinga nesse universo made in USA. Especializado em frutos do mar, o Red Lobster fechou no fim de 2015 seu ponto de estreia, nos Jardins, após pouco mais de um ano de funcionamento. O grupo alegou tratar-se de uma decisão estratégica. Isso não é suficiente para desanimar investidores. Estão programados para um futuro próximo o retornodo Dunkin’ Donuts, a chegada da confeitaria Magnolia Bakery e a abertura do canadense Booster Juice, dedicado a sucos e smoothies.

 

Fonte: Redes americanas invadem a cidade e fazem sucesso entre os paulistanos | VEJA São Paulo